O que o meu amigo Washington Pelegrini, do Blog do Pelegrini, chama de “um novo marco na política baiana”, eu chamo de Trombeta do Apocalipse e possivelmente essa seja a primeira a estar sendo tocada neste exato momento. (para quem não entende de ironia, isso aqui é um exemplo). Isso porque o tocar das Trombetas é o prenúncio de fim dos tempos biblicamente falando e trazendo isso para a política local, há muito o que esmiuçar, afinal de contas, metaforicamente falando, essa é uma frase usada amplamente quando algo extraordinário está acontecendo ou prestes a acontecer.
Certo que eu não estou completamente antenada no cenário político do Território Baixo Sul, muito menos nas especulações estaduais, mas se existe algo que, na minha concepção, seria completamente improvável, era essa aliança entre dois homens extremamente sisudos e militantes em suas respectivas ideologias. E acredito que essa provável aliança não seja motivo de surpresa ou especulações apenas para mim.
De um lado, temos o Prefeito Hildécio Meireles, “dono” de cinco mandatos como prefeito da cidade de Cairu, o maior município-arquipélago do Brasil, direitista, correligionário fiel de ACM Neto, oposição declarada aos Partidos políticos da Esquerda e detentor de um capital político absoluto. Do outro, temos o Governador Jerônimo Rodrigues, professor universitário que saiu do status de Secretário de Educação para Governador da Bahia a passos largos, muito bem avaliado quando ainda era Secretário da SDR e que parece estar avançando para cima da oposição com um discurso mais amistoso e bandeira branca hasteada.
Embora vários atores estejam trabalhando na possibilidade dessa aliança há alguns anos entre as figuras de Hildécio e o Governo do Estado (que é administrado pela Esquerda há quase duas décadas), meu sexto sentido me diz que a figura de Rafael Meireles – filho do Gestor de Cairu – emerge para alargar essas portas, visto que já disponibilizou seu nome como pré-candidato a deputado estadual (bem cedo, aliás) e não vai querer que empecilhos se criem no seu projeto de se perpetuar na política, como o seu pai fez com maestria e muito trabalho. Ou talvez Rafael, com seu perfil político mais flexível e aberto a diálogos do que o seu próprio genitor, tenha colocado a possibilidade de uma comunicação mais ampla com grupos de diferentes ideologias, como critério para sua participação mais ativa no cenário político, dessa vez, fora dos bastidores.
O ambiente de paz entre “as duas nações” é tão perceptivo que mal conversaram no Gabinete da Capital e o Governador já veio para Cairu nesta segunda-feira de carnaval, cumprir uma agenda extensa, que envolve Morro de São Paulo e Gamboa. Bom, a torcida é para que dê tudo certo, afinal de contas é fundamental que o desenvolvimento social e econômico chegue a mais cidades do nosso território e é bacana ver que mais um gestor municipal tem deixado seus orgulhos direitistas de lado para abraçar o que o Governo do estado tem a oferecer. Se será suficiente, aí já é conversa para um outro dia.
E enquanto novos círculos de amizade parecem se construir, a uma hora dessa, o ACM “cabeça branca” deve estar se revirando no túmulo, por ter um neto que deixa seus aliados “escorregarem” por entre seus dedos e que não tem o “tino pra coisa”, como se imaginava.






Uma resposta
No fim das contas, são braços do mesmo corpo. Ótimo texto