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São Pedro de Valença: os bastidores sombrios de uma imprensa tratada com descaso

A estrutura da festa, a gente reconhece: tá bonita. Espaço amplo, iluminação caprichada, som potente, atrações que agradam a multidão e uma ambientação que super valoriza a Feira Livre do município. Para quem veio curtir, o evento está funcionando. Mas para quem chegou no espaço da festa para trabalhar, especialmente nós da imprensa local, o que encontramos foi um retrato claro do desprezo institucionalizado.

Vários veiculos de comunicação – compostos por profissionais sérios, experientes, preparados – foram deixados do lado de fora. E não é metáfora. Literalmente do lado de fora, por trás de grades e portões que separavam profissionais de “profissionais” sem qualquer critério. Comunicadores que chegaram com equipamentos, pautas e boa vontade se depararam com um completo descaso por parte da organização do evento.

Pulseiras de acesso? Não tinham. Sala de apoio? Não existia. Comunicação prévia? Nenhuma. Acesso às proximidades do palco para entrevistas? Nem em sonho. Só um amontoado de informações confusas e aleatórias e um silêncio que eu prefiro acreditar no amadorismo dos “donos da situação”, de quem estava diretamente envolvido na tomada de decisões.

E aqui é preciso fazer uma observação importante: não adianta colocar um “boi de piranha” para ser responsabilizado por todas as falhas. A gente sabe — e quem está nos bastidores também sabe — que onde há vontade, nem sempre há autonomia. Que nem sempre quem ocupa a cadeira tem liberdade para tomar as decisões. E é aí que mora o problema: quando o ego de quem tem poder fala mais alto que o compromisso com o profissionalismo.

E sabe o que mais choca? Nem a gestão anterior – aquela que foi avaliada como a pior da história recente – tratou a imprensa desse jeito. Nem ela se ousou tanto. Independente de tudo, o mínimo era garantido. E que fique claro: não estamos pedindo privilégios, nem reconhecimento de vaidade. Estamos falando do mínimo necessário para exercer nosso trabalho com dignidade.

Enquanto isso, pessoas que passaram a campanha inteira descendo a lenha no prefeito atual tiveram acesso total: pulseira, acesso ao espaço dos camarins, entrada privilegiada e tapinha nas costas. Parece que, por aqui, ser profissional é sinônimo de invisibilidade. E ser barulhento – mesmo que sem ética e credibilidade nenhuma – virou credencial de acesso. Chegamos à conclusão de que para ser valorizado, é preciso ter uma moral flexível e ser agressivo e raso. 

É difícil entender como um evento que brilha tanto do lado de fora consegue ser tão opaco nos bastidores. Fica o alerta: a imprensa local, que cobre, registra, divulga e contribui para o fortalecimento cultural da cidade, não pode ser tratada como um detalhe dispensável e todos nós sabemos os porquês.

Preciso fazer um adendo: a foto mal feita que está na capa da matéria, ilustra perfeitamente o descaso com o qual nós, profissionais – de verdade – de imprensa, fomos tratados. Finalizo esse texto agora já no calor da minha casa, enquanto a festa segue e alguns colegas insistem em permanecer, porque mesmo sem crachá, sem pulseira, sem cadeira e sem sequer um copo de água, talvez ainda acreditem que comunicar é resistir.